sexta-feira, 11 de setembro de 2009

INTERNET PELA REDE ELÉTRICA

Já é realidade no Brasil

No dia 13 de abril de 2009, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) homologou a tecnologia PLC - Power Line Communication, ou BPL - Broadband Power Line. Essa tecnologia permite o tráfego de voz, dados e imagens através da rede elétrica, o que abre um leque enorme de possibilidades na área de tecnologia.


A tecnologia PLC já existe há cerca de dez anos, sendo comercializada em 16 países da Europa. Nestes países, estão disponíveis links de até 4,5Mbps, devendo chegar ao final deste ano aos 14Mbps.

No Brasil, o desenvolvimento da PLC começou no Paraná, na fornecedora de energia elétrica, no final da década passada. Desde então, foi desenvolvida uma tecnologia compatível com o Sistema Elétrico Brasileiro, que foi testado nos últimos dois anos, até ser homologado.

Em São Paulo, já existem três bairros onde esta tecnologia está sendo utilizada: Pinheiros, Cerqueira César e Moema. Para os demais bairros, a tecnologia deverá estar disponível a partir de 2010. Com o PLC, a tomada elétrica vira o ponto principal de comunicação da residência ou da empresa.

O que muda para o usuário?
Para ter acesso a esta tecnologia, o usuário deverá contratar o serviço da operadora credenciada para comercializá-lo e adquirir um modem compatível com a tomada elétrica.
Esse modem vai filtrar o sinal elétrico e disponibilizar os sinais de voz, dados e imagens em saídas específicas, funcionando como central de mídia.

Pensando em termos de facilidades oferecidas, esse modem poderá vir com uma antena de rede Wireless, oferecendo mobilidade para equipamentos de informática, como notebooks e desktops.


Outra possibilidade é portar o modem e usar a sua internet em qualquer lugar, bastando plugá-lo na tomada. Além disso, a montagem das redes vai ser simplificada, não necessitando de cabeamento de dados - que hoje é um problema, devido à dificuldade de passagem dos cabos.

Para as empresas, o PLC pode ser uma tecnologia que irá facilitar a interligação de unidades distantes através da rede elétrica, diminuindo a necessidade de links dedicados de dados, que são caros.

O que é preciso fazer na rede elétrica?
Para adaptar a rede elétrica para o PLC, as concessionárias de energia devem instalar uma grande quantidade de repetidores e roteadores junto aos transformadores, para amplificar o sinal de dados e evitar as oscilações nos pontos de segmentação da rede elétrica.

Como o PLC será comercializado?
A Eletropaulo divulgou que não deverá comercializar o PLC diretamente para o consumidor final, devendo fazer uma aliança com as operadoras de telecomunicações para atender o novo serviço.

Capilaridade da rede
Como a rede elétrica chega a quase todas as residências, o potencial de penetração desta tecnologia é enorme, podendo chegar a lugares onde hoje não existe banda larga pela linha telefônica, por rede de TV a cabo ou, ainda,
por rádio.

Somente este aspecto já torna o PLC atrativo para o público em geral. Basta agora saber como será o modelo comercial e o que vai ser oferecido para os consumidores finais.

Quais as vantagens
Em Porto Alegre, RS, já está utilizando a nova tecnologia. Luis Cunha, assessor de Relações Institucionais da Procempa, explica algumas vantagens:

"Uma das vantagens de transmitir dados pela rede elétrica é que 98% das residências do Brasil têm acesso. Por exemplo, pegamos um bairro afastado, que tem 120 mil habitantes. Apesar disso, não há cabeamento para internet rápida, porque não daria lucro. Puxamos um cabo de fibra ótica até lá e acoplamos na rede elétrica. Tem até fila para usar agora".

O acesso à internet utilizando discagem, como funciona em boa parte das residências brasileiras, tem uma velocidade de 56 mil bits por segundo (56 Kbps), normalmente. Utilizando a rede de cabos, chega a 2 milhões de bits por segundo (2 Mbps). A internet pela rede elétrica testada em Porto Alegre funciona a 45 milhões de bits por segundo (45 Mbps) , e será trocada, em breve, por um acesso de 200 milhões de bits por segundo (200 Mbps), diz Cunha.

"A transferência atual é pelo menos sete vezes mais rápida, dependendo do aparelho", explica o assessor de Projetos Especiais da Procempa, Cirano Iochpe, e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Segundo Iochpe, a transferência de dados pela rede elétrica funciona convertendo os bits em pulsos elétricos, que circula depois como tensões e correntes. "O desafio técnico agora é fazer essa rede ter uma performance adequada. Até hoje, esses pequenos projetos do Brasil usavam uma tecnologia que não era desenvolvida especificamente para o Brasil. No Brasil, o sinal perde força, tem ruídos. Os novos equipamentos têm filtros eletrônicos para manter o sinal forte e reduzir as interferências - que, no Brasil, são enormes", explica.

A facilidade, entretanto, é enorme. Em um prédio com acesso pela rede elétrica, é possível tirar o computador de uma tomada e ligar em outra, por exemplo. A Procempa já faz testes para dois tipos de usos: telemedicina, que é organizar consultas em centros médicos que possam ser realizadas em hospitais distantes com auxílio do vídeo; e um canal de retorno para interatividade da TV digital. Enquanto a TV digital seria transmitida por antenas, a interatividade poderia ser feita pela rede elétrica.


Iochpe diz que não há intenção comercial ainda. "No início, pelo menos, não queremos competir com os provedores normais, apenas levar acesso a programas sociais, como telecentros e centros de saúde". A rede elétrica, diz Cunha, ainda não foi pensada como modelo de negócio.

Leia mais sobre o funcionamento...

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